O Setor de Locação

Movimento Pela Metade

Queda na movimentação turística atinge Locadoras de Veículos, que reclamam da exclusão da Política de Incentivos do Governo para a Copa.

As Locadoras de Veículos Potiguares, tiveram o pior julho dos últimos cinco anos. Acostumadas a faturar alto nesse período com a chegada dos turistas, as empresas têm visto o movimento cair cerca de 50% por conta do aumento na procura por viagens internacionais. O NOVO JORNAL noticiou no início do mês de julho que o dólar mais barato e as melhores condições de pagamento têm feito os brasileiros procurarem cada vez mais visitar o exterior; em Natal, algumas agências registraram incremento entre 30% e 50% na procura por lugares como Estados Unidos e Argentina. Segundo o Sindicato das Locadoras de Automóveis do RN (SINDLOC), as empresas baixaram os preços em até 40% para conseguir suprir a lacuna deixada pela queda no turismo.

Os principais pólos emissores de turistas para o Rio Grande do Norte, as regiões Sul e Sudeste, estão sendo campeãs em enviar visitantes para o exterior. Segundo o Presidente do SINDLOC/RN, João Bosco da Silva, o custo-benefício de viajar para fora do país é muito maior do que vir conhecer o Nordeste, por exemplo. “O dólar está numa queda muito grande e isso faz com que as pessoas busquem outras áreas como o mercado internacional. Sai mais em conta sair de São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul ou Goiás e ir para o exterior do que vir pra cá”, acredita. Os locadores perderam uma média de 50% da movimentação de turistas que tinham nesse período em relação ao ano passado.

Para superar a má fase, os empresários refizeram a política de preços e lançaram promoções para atrair os clientes. Segundo Bosco, os valores caíram até 40%. Quem adquire sete, dez ou 15 diárias, por exemplo, ganha um desconto maior. Alugar um carro básico hoje, sem ar condicionado, sai por uma média de R$ 70. Para ter quilometragem livre, só contratando pelo menos três diárias. “Por menos de três não é viável fazer quilometragem livre”, diz Bosco. O presidente do Sindicato diz que não só eles, mas também os hotéis reduziram os valores e lançaram pacotes promocionais para atrair os turistas. “Todo mundo está sentindo a diminuição no número de visitantes”, acrescenta.

As diárias podem custar até R$ 350 e os preços dependem dos opcionais do carro como: modelo (sedan ou hatch), potência do motor, se tem ar condicionado ou direção hidráulica, vidro ou trava elétrica, duas ou quatro portas. A tarifa média de R$ 70 é praticada a cerca de dez anos segundo Bosco da Silva. “Todo o custo operacional aumentou desde a compra do veículo até a reposição de peças, troca de pneu, manutenção. Mas não conseguimos aumentar a tarifa devido à concorrência desleal que existe no mercado”, diz.

O empresário se refere aos irregulares e estrangeiros, que passaram a competir com eles no aluguel de veículos.=
“O cara que vende o coco na beira da praia tem dois carros para alugar. Todo gringo que mora em flat em Ponta Negra tem de cinco a dez carros para alugar. Estamos buscando providências legais para isso não atingir o mercado. Alguma coisa tem que ser feita”, reclama.

Já as grandes empresas como Localiza e Avis não incomodam os empresários natalenses. Segundo João Bosco da Silva, a concorrências com esses é legal. Muitas vezes acontece de os maiores terem preços mais altos ou até mesmo de os natalenses aumentarem as tarifas enquanto eles baixam. “Só não tem mercado hoje pra quem é amador. A concorrência entre as pequenas, médias e grandes empresas é leal no mercado potiguar”, define.
Segundo números da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), o Rio Grande do Norte tinha em 2010 uma frota de 10.830 veículos para locação. Havia 46 empresas licenciadas para prestar o serviço, mas segundo João Bosco da Silva, que também é diretor regional da ABLA no RN, na Junta Comercial existem pelo menos duas mil empresas cadastradas como locadoras de veículos no Estado. Porém, apenas 20% dessas seriam locadoras de fato.

“Muitas empresas se cadastram como locadoras, mas colocam como atividade secundária. São construtoras, empresas de terceirização de mão de obra e até fábrica de vassouras, que colocam locação como segunda ou terceira atividade, para quando surgir a necessidade estarem habilitadas”, explica. Se há em torno de 400 locadoras em todo o Estado, cerca de 200 estão em Natal, mas apenas 30 são filiadas ao Sindicato.

De acordo com João Bosco, as perspectivas para o setor são as melhores possíveis para a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. A expectativa é que o número de locadoras de veículos duplique em todo o Brasil e no Rio grande do Norte; com relação à frota, espera-se que até triplique no Estado. Com isso o número de veículos atuando no segmento superaria os 30mil.

Mas para que isso aconteça, os empresários dizem precisar de incentivos. Como a Copa do Mundo – único desses eventos que virá para Natal – terá duração de 30 dias, será somente esse o tempo de duração do impacto para o segmento. “Uma empresa não pode duplicar sua frota para apenas 30 ou 45 dias. Porque depois a Copa passa e ela fica com um estoque muito alto de veículos. Não é viável”, opina. Para que as locadoras não tenham prejuízo, a ABLA defende que o Governo Federal conceda incentivos fiscais como redução do IPI e ICMS e linhas de crédito especiais para aquisição de automóveis.

“Apesar de estar inserido na atividade turística, o setor é o único que até agora não tem incentivos para a Copa do Mundo. Já encaminhamos projeto ao Governo Federal solicitando acesso a linhas de crédito especiais, redução de IPI e ICMS, para poder ter condição  de adquirir esses bens e depois não ter prejuízos”, avalia. A idéia é reduzir o Imposto sobre os Produtos Importados apenas temporariamente e que o incentivo seja dado exclusivamente a quem trabalha com aluguel de veículos.

No Rio Grande do Norte o mercado é dividido entre as empresas que trabalham focadas no turismo e fazem o chamado “daily rent”, o aluguel de balcão, e as voltadas para a terceirização de mão de obra, que visam o serviço junto aos órgãos públicos e têm contratos mensais. Segundo João Bosco, hoje o mercado é bem dividido entre os dois segmentos, mas o que está rendendo mais lucro é a terceirização. “Muitas empresas passaram a operar das suas formas porque o turismo caiu muito. Desde 2008, com a crise financeira internacional, que houve esse retrocesso. A alternativa que sobrou acabou se tornando a mais rentável”, explica.

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